6 dúvidas sobre compostagem doméstica

Uma das coisas boas que Sampa me deu foi o privilégio de ser selecionada para participar do projeto Composta São Paulo. A iniciativa da prefeitura (Haddad, <3), em parceria com o pessoal da Morada da Floresta e outras turmas legais, foi um projeto piloto para estimular a prática da compostagem doméstica, além de um estudo para entender a viabilidade e os benefícios da adoção da prática nas casas da cidade.

A história começou há um ano, e essa semana eles divulgaram os primeiros resultados. Eu, como participante, posso dizer que tudo foi muito bem estruturado e todas as etapas foram acompanhadas de perto. Eles nos deram um kit de compostagem, fizeram treinamentos e oficinas, e criaram um grupo no facebook onde a gente podia trocar ideias, tirar dúvidas e dividir nossos dramas e conquistas.

Os resultados estão aí pra mostrar que o projeto foi um sucesso: 98% dos participantes estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o projeto, 86% consideram fácil de fazer, 78% já incorporou a compostagem aos hábitos da casa e 95% já incentivaram outras pessoas a adotarem uma composteira também.


Eu me encaixo em todas essas categorias. Adotei a compostagem pra vida, trouxe minha composteira pra Salvador (e ela foi confiscada por minha avó, que já está apaixonada também), coloquei o namorado no esquema (ele, que estava totalmente desconfiado da ideia no início, entrou na onda e acabou até levando amigos lá em casa só pra mostrar a composteira) e virei defensora da ideia. Tanto, que resolvi fazer esse post só para explicar como funciona e, quem sabe, te convencer a entrar nessa também. Vamos lá?

1 – Como é isso?

Compostagem doméstica é uma maneira de aproveitar os resíduos orgânicos que geralmente vão para o lixo, transformando eles em adubo. Os benefícios são muitos: você reduz o volume de lixo que sai de sua casa, ganhar um adubo da melhor qualidade – e de graça, aumenta a consciência ambiental de toda a família, aprende muito sobre a natureza e seus ciclos, além de ser super divertido e interessante.

Para isso, você usa uma composteira, que são essas caixas de plástico empilhadas. Cada uma tem uma função. Primeiro você usa a de cima, que é onde você vai colocar todo o material que quer compostar. Quando ela estiver cheia, você trocar de lugar com a do meio. Daí, enquanto você enche novamente a de cima, as minhocas vão trabalhando na do meio, transformando todo aquele resto de comida em adubo. A de baixo é para coletar o chorume (melhor adubo da vida), que cai da caixa no meio. Parece meio complicado, mas garanto que na prática é bem simples.

Xixi de minhoca, como diria minha avó. #compostagem #minhocario #composteira #adubo #rrr

Um vídeo publicado por Clara Corrêa (@simplificando) em


2 – Fede?

Acho que essa é a pergunta que mais me fazem. E não, não fede. O princípio básico da compostagem é que se tudo estiver bem ali dentro, não vai ter fedor, bicho nem nenhum problema ao redor. Então o negócio é manter aquele ecossistema sempre saudável. O máximo que você vai ter de cheiro é o natural do adubo, aquele cheiro de terra, sabe? Eu, particularmente, adoro.

Funcionárias do mês. Tudo gordinha e bem nutrida. #compostagem #composteira #orgânicos #RRR Uma foto publicada por Clara Corrêa (@simplificando) em

3 – Dá bicho?

Se tiver tudo bem dentro da composteira, não. Essa é uma das coisas mais interessantes, na minha opinião. Por ser um ambiente muito sensível, qualquer coisa errada é alertada na hora, seja através de cheiro, mosquito, mofo ou qualquer outro sinal. Então você acaba ficando sempre atento ao que está rolando ali, e vendo como vai resolver aquele problema. Tem larva? Então eu devo ter colocar algum alimento contaminado. Tem mofo? Então eu preciso colocar mais matéria seca. É como brincar de Deus. Você controla o ambiente nos mínimos detalhes e está sempre buscando melhorar aquilo ali. A minha já teve duas pragas, uma de mosquito e outra de um bicho desconhecido. As duas foram controladas e as minhocas estão mais gordas e felizes do que nunca.

Café da manhã pra mim e pra elas. ❤️ #RRR #compostagem #minhocario #hortaurbana

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4 – Pode colocar qualquer coisa?

Não. Algumas coisas são 100% liberadas, como cascas, talos e restos de frutas, verduras e legumes, sementes, casca de ovo, borra de café, sache de chá etc. Outras são liberadas com moderação, como flores, alimentos cozidos, frutas cítricas, guardanapo etc. Por fim, existem alguns resíduos que não podem ser jogados lá, como carnes, limão, temperos fortes, fezes de animais etc. Aqui tem um manual com todas essas instruções.

Primeiro almoço das minhoquinhas. #CompostaSaoPaulo #SpRecicla #compostagem #sustentabilidade #orgânico #hortaurbana

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5 – Como as minhocas passam de uma caixa pra outra?

Através de buraquinhos, feitos na parte de baixo das duas caixas digestoras (as do meio e de cima). Assim, quando elas terminarem de comer e digerir tudo que tiver na caixa do meio, ela já começam a subir pra caixa nova, atrás de comida. Super espertas.


6 – Como eu faço pra ter uma?

Você pode comprar pronta (no site da Morada da Floresta tem várias opções disponíveis, para cada tipo de demanda), ou fazer a sua. Como a minha foi confiscada por minha avó, eu estou pensando seriamente em fazer uma nova pra mim. Daí mostro o passo a passo aqui, que tal?

E então, gostou da ideia? Ficou mais alguma dúvida? Eu realmente acredito que a compostagem doméstica é um daqueles gestos individuais que todo mundo pode fazer. É muito mais simples do que parece, muito mais divertido do que se espera, muito mais eficaz do que se pode pensar. E, se feito por muitas pessoas, com certeza vai ter um impacto gigantesco na quantidade de lixo que mandamos pros aterros todos os dias. Vai nessa!

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