Das delícias de ir andando

Porque em tempos de ostentação, luxo mesmo é andar a pé.
Porque em tempos de ostentação, luxo mesmo é andar a pé.

Há uns cinco meses eu me mudei. Mudei de cidade, mudei de emprego e, obviamente, mudei de casa. Como eu já sabia onde ia trabalhar, procurei um apartamento pela redondeza e achei um cafofo perfeito a duas quadras da firrrma. Desde então, a rotina de ir e voltar do trabalho deixou de ser o estresse enlouquecedor de outrora e se transformou no momento de esticar as pernas, tomar um solzinho, ver as novidades da vizinhança e pensar na vida.

Nada de perder horas em engarrafamentos, brigar pra estacionar o carro, gastar boa parte do salário em combustível, me apertar na guerra do metrô/ônibus, nem nenhum dos conhecidos estresses de quem precisa ir de um lado pro outro da cidade todos os dias. Além, é claro, de poder almoçar em casa, dar um cheiro no cachorro e volta zerada pra mais um turno.

Porém, além da economia de tempo, dinheiro e estresse, essa nova rotina me fez conhecer o meu bairro de outra maneira, mais pessoal e próxima, percebendo cada novidade, entrando em cada lojinha e descobrindo o movimento de cada esquina de acordo como dia e o clima. Sexta-feira, por exemplo, é o dia em que fica impossível andar na calçada em frente a uns dois ou três bares, sábado é o dia da feira de orgânicos, domingo é o dia que não tem nenhuma bicicleta disponível no terminal da rua e todo dia é dia de bolo caseiro na loja do outro lado da avenida.

Claro que eu sei isso é um privilégio e que, para algumas pessoas, pode ser meio impossível pensar nessa ideia. Mas se você puder, vá por mim, tente viver seu bairro, muito mais do que simplesmente morar ali. Se o trabalho for longe, nada impede de aproveitar o fim de semana pra conhecer melhor a banca da esquina, as padarias, bares, academia, parques e tudo mais que está aí do lado e a bolha do carro te impede de enxergar.

Quanto mais gente na rua, mais a rua se torna nossa. E quanto mais nossa, melhor ela fica.

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