Férias prolongadas e algumas coisas para pensar

soul

Há exatos cinco meses eu publiquei o último post aqui no blog. Nesse tempo, um bebê nascido naquele dia já cresceu o suficiente para segurar um objeto (e provavelmente colocar ele na boca), um trabalhador mandado embora já usou todo seu seguro desemprego, uma macaca geriu seu filhote e os brasileiros trabalharam o suficiente para pagar os impostos do ano. Nesse mesmo tempo, eu mudei de emprego, de cidade, virei dona de casa, fiz novos amigos, redescobri um câncer, fiz minha terceira cirurgia e estou prestes a começar a radioterapia – e o ano ainda nem chegou na metade. Tudo isso é para justificar a ausência por aqui e dizer que essas férias forçadamente prolongadas me fizeram repensar e olhar de uma forma diferente para uma série de coisas.

Uma delas é sobre os limites de cada um e as pressões em quem se propõe um novo estilo de vida, como esse, que a gente compartilha por aqui. Recentemente eu fui a um encontro sobre “cosméticos do bem” e, durante o bate papo, uma das meninas revelou um dilema que a consumia profundamente: “eu sou vegetariana, mas faço progressiva no cabelo!”. O desabafo, que faria Márcia Goldschmidt chorar, nos fez refletir sobre essa pressão quase xiita de que quem decide viver uma vida mais sustentável precisa obrigatoriamente virar vegan, comer só comida orgânica, usar apenas cosméticos certificados pelo IBD, vender o carro, nunca mais entrar num shopping e por aí vai. O problema é que o que é simples para uma, pode ser um problema para outra, o que eu posso fazer todos os dias da semana, você talvez só consiga fazer em dois, e que ninguém aqui consegue (nem deve) ser radical nada.

Portanto, se você pretender cortar a carne de sua vida, e só isso, parabéns! Se você ama um bife, mas acha que dá pra trocar seus cosméticos de farmácia por versões cruelty-free, jogue duro! Se você não está pronta pra livrar seus cachos da progressiva, mas consegue viver sem carro, arrasou! A gente não precisa ser 100% para ser melhor do era antes. Trocar um único hábito por outro que deixe sua vida mais leve já é uma troca e tanto. É de um em um que a gente muda, e todos são igualmente importantes e louváveis. Então, se você está a fim de uma vida mais simples, esqueça aquela ideia de revolução da noite pro dia. A mudança de verdade é silenciosa e diária, construída com consciência, informação e certeza de que a cada passo estamos mais perto de uma vida mais plena, saudável e feliz.

Por aqui, eu pretendo continuar nessa trilha, fazendo sempre o meu melhor, com o que estiver ao meu alcance, sem neuras ou obrigações. Porque a ideia é mudar porque é melhor, mais inteligente, gostoso, significativo e divertido. Porque a gente quer, e pronto.

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