Juventude sonâmbula que não sabe o que quer

Em tempos de tanta instabilidade e em que ninguém entende ao certo o que está acontecendo e, menos ainda, o que irá acontecer nos próximos capítulos, só uma coisa é certa: o jovem brasileiro precisa de educação política.

“O gigante acordou”, bradaram milhares de jovens nos últimos dias (incluindo a que vos escreve). Acordaram sim, mas sem saber direito o que está acontecendo. Sabe quando você acorda no susto e leva um tempo sem saber o que é real e o que é sonho? A juventude brasileira está mais ou menos assim. Ela sente que muitas coisas estão erradas, mas não consegue dizer exatamente o quê, muito menos como consertá-las. Ela não sabe nem por onde começar.

A razão disso é muito simples: apesar de todos os avanços econômicos e sociais, ninguém na minha geração recebeu formação política – seja nas escolas (públicas ou particulares), famílias ou comunidades. Poucos deles se mantiveram “acordados” enquanto os outros se preocupavam mais com a lavagem cerebral do consumismo, com o alavanco profissional individual ou com o próximo lançamento do Ps4.

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Aí, do nada, acordamos. Ótima notícia. Uma massa gigantesca resolveu ir às ruas reclamar sobre tudo. “Mas precisamos de um foco”, questionei em um dos grupos no Facebook. Me chamaram de “alienada” e “arregona”. Podem me chamar do que quiser, mas acredito que uma multidão sem rumo, sem lenço e sem documento é um perigo incalculável. Interesses muito poderosos podem se aproveitar dessa força ainda alienada para fins que provavelmente interessarão a poucos.

Tem gente querendo o impeachment da presidenta achando que é ela a responsável pelas PECs, pela não-prisão de mensaleiros ou pela cassação de mandatos de deputados e senadores. Muitas dessas pessoas apenas reproduzem o que vêem nas suas timelines sem nenhum critério e, no fundo, nem sabem o que é direita e esquerda!

Minha mensagem para eles:

Por uma grande “coincidência”, o ensino religioso está presente em quase 50% das escolas públicas do país. Mas pergunte quantas oferecem ensino político aos seus jovens? Quantas escolas, públicas ou privadas, ensinam didaticamente o que faz o vereador, senador, presidente, quais suas obrigações e quais os deveres dos cidadãos enquanto atores fundamentais de uma democracia? Nenhum de nós sabe. E esse é o grande problema.

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Sim, acho lindo tudo isso que está acontecendo. Estou orgulhosa da minha geração por ter se rebelado e decidido sair da inércia. Mas tenhamos calma. Essa é a grande oportunidade de nos interessarmos mais e estudarmos tudo que boicotamos nas aulas enfadonhas de história do nosso colegial.

O gigante acordou, mas precisa deixar um pouco de lado a força bruta e usar a inteligência, que parece ainda estar deitada eternamente em berço esplêndido.

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