O que queremos, afinal?

 

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É difícil compreender os jovens de hoje. E não digo que é difícil apenas para quem tenta desvendar as mentes dos filhos, sobrinhos ou trainees. É difícil também para nós, personagens da tal “Geração Y”. As recentes manifestações que tomaram as ruas do país com suas reivindicações genéricas reforçaram ainda mais essa incógnita: “o que eles querem, afinal?”.

Apesar de termos crescido calados assistindo a todo tipo de absurdo, não pense que somos uma geração perdida. Ao contrário. Fomos criados em um país com certa estabilidade política e econômica, nossos pais nos proporcionaram uma infância melhor e com mais regalias que as suas e aprendemos desde cedo que “tudo que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar”.

Isso culminou em uma geração de jovens seguros de si, exigentes, ultra-informados e conectados, prepotentes, arrogantes e até ingênuos, mas, acreditem, dispostos a utilizar todo o potencial para correr atrás de seus objetivos e transformar o mundo em um lugar melhor. Não por sermos mais bonzinhos que os jovens de outras gerações, mas por termos percebido que o “melhor para todos” precisa vir antes do “melhor para mim” e que é burrice pensar o contrário.

Minha geração está descobrindo que o “jeitinho brasileiro” é o maior câncer do nosso país, e que é preciso jogar limpo e em equipe para poder ir para frente. Que é possível criar empregos que nunca existiram, modelos de negócio totalmente fora dos padrões e políticas públicas que, de fato, melhorem as vidas das pessoas.

Estamos vendo que é possível ganhar dinheiro, fazer o que ama e ainda ajudar a sociedade e o meio ambiente – tudo ao mesmo tempo. Seja através de um banco que oferece microcrédito a jovens e famílias de baixa renda, de uma plataforma colaborativa que desenvolve produtos sustentáveis para resolver problemas reais, ou de um blog que mostra como aplicar a sustentabilidade na prática: queremos fazer diferente!

Seja nas ruas ou nas redes sociais, nós exigimos os nossos direitos, execramos quem nos rouba e nos tira o privilégio de uma melhor qualidade de vida e queremos sempre mais. A gente quer ter as mesmas oportunidades dos americanos, os mesmos serviços de saúde dos europeus e ainda andar de bicicleta em ciclovias seguras, como em Amsterdã.

Eu sei que tudo ainda parece muito nebuloso e que não há garantias de que dará certo. A coisa ainda está sendo construída e a única certeza que tenho é que é preciso tentar. Meu nome é Clara, eu sou jornalista, tenho 25 anos e, se depender de mim, o futuro será brilhante para todos nós.

Texto publicado na 19o edição da Revista B+.

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