Um papo de menina…

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Os rapazes que me desculpem, vocês são e sempre serão muito bem vindos aqui, mas hoje a conversa é com elas.

É com você, minha amiga, que sabe que as dores e delícias de ser mulher incluem um momento muito íntimo e, por vezes, nada agradável das nossas vidas.

Aqueles dias em que nenhum chocolate do mundo é capaz de amenizar a dor avassaladora que vem, literalmente, do útero.

Aquela semana que nenhum namorado será carinhoso/cavalheiro/compreensivo/[preencha com o adjetivo que quiser] o suficiente.

Que nenhum chefe é legal, nenhum trabalho é bom, nenhum Sol é radiante e, para piorar, você ainda precisa encarar comerciais de absorvente exibindo robôs tentando se passar por mulheres menstruadas (porque, convenhamos, todo mundo sabe que nenhuma criatura fica feliz daquele jeito. Elas saltitam e andam de bicicleta, pelo amor de Deus!).

Enfim, você que precisa comprar absorventes todos os meses e aceitar que terá que conviver com esses companheiros por um bom tempo. E é exatamente sobre isso que quero conversar.

Mas antes, vamos fazer uma conta rápida. Supondo que uma menina menstrue pela primeira vez aos 11 anos e seja abençoada com esse presente da natureza por umas boas quatro décadas. Digamos ainda que essa moça tenha dois filhos, o que pode lhe poupar uns dois anos de absorventes. Serão 12 ciclos por ano x 38 anos = 456 semanas de pura felicidade. Se cada ciclo desses durar cinco dias e ela usar de três a quatro absorventes por dia (tô pegando leve), a moça aí vai usar, em média, 8 mil absorventes ao longo da vida. É absorvente pra cacete.

“E o que acontece com eles depois?” Lixo, óbvio. “Tá, mas e depois do lixo? Evapora?” Não, amiguinhas, eles ficam por aí pelo mundo, poluindo os aterros e lixões até sua bisneta menstruar pela primeira vez.

“Nossa Clara, que chato, hem? Mas sinto muito, não posso fazer nada.”

Calma lá! Estou aqui para resolver os seus (e os meus e os de nossas bisnetas) problemas. E, para isso, vou te mostrar duas opções para lidar com esse dilema de uma forma menos bizarra pro mundo, mas ainda segura e higiênica pra nós.

1 – Absorvente biodegradáveis

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Essa é a saída mais simples para deixar os sintéticos de lado. Eles são IDÊNTICOS aos normais, mas com a diferença de não fazerem mal para a sua saúde nem pro meio ambiente. Esses aí da foto são da Natracare, que tem vários modelos, todos feitos com materiais naturais, com 100% algodão orgânico certificado, sem uso de cloro, aditivos químicos, perfumes, materiais plásticos e raiom (seda artificial). Eles também são de livres de dioxinas, substâncias tóxicas que já foram relacionadas a diversos problemas de saúde, como câncer, anormalidades no sistema imunológico e diabetes – e sim, você tem colocado isso em contato com sua pepeca todos esses anos.

“Ah, mas essas coisas orgânicas são super caras!” Sim, eles são um pouco mais caros. Um pouco. Um pacote de absorventes internos com 10 unidades da Natracare, por exemplo, custa R$ 12,90, enquanto que um de o.b. custa o quê? Uns R$ 8,00, R$ 9,00? Convenhamos, a não ser que você tenha um fluxo fora do normal ou more na Casa das Sete Mulheres, não é nada que não se possa pagar (ou melhor, investir – na sua saúde e do planeta).

2 – Copo coletor

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Essa opção já é um pouquinho mais complexa, mas também muito interessante. Trata-se de um copo feito de silicone, cuja função é coletar a sua menstruação de forma higiênica e ecológica. Para tanto, sim, você tem que colocar isso lá dentro – e essa é a parte mais complicada da história. No início é meio… desafiador, mas com o tempo você pega o jeito e tudo fica mais fácil (aqui tem um vídeo bem didático com o passo a passo).

Os prós: Esse absorvente não é descartável e pode ser usado por até 10 anos. Por isso, ele te dá total liberdade de poder curtir sua vida sem se preocupar em carregar absorvente na bolsa pra cima e pra baixo. Basta, de tempo em tempo, você ir ao banheiro, esvaziar o copo, higienizar e colocar de novo. Além disso, você deixa de jogar milhares de absorventes no lixo e de gastar toneladas de dinheiro com isso. Ah, ele também não altera o PH da flora vaginal e deixa a periquita fresquinha, ao contrário dos outros absorventes externos e internos.

Os contras: Algumas meninas não gostam de lidar com sua menstruação assim, de cara, e eu respeito isso. Outra coisa, se a parada não estiver bem acomodada lá dentro, podem rolar alguns acidentes de percurso. E muita higiene, viu! Se não, podem ter outros probleminhas também. E moçoilas vilgens e paridas também não devem usar.

Existe ainda uma opção remasterizada de absorvente de pano, mas confesso que nunca usei nem sei se tenho energia pra lavar isso depois. Se alguém aí já tiver testado e quiser compartilhar a experiência, o campo de comentários é todo seu.

E aí, topariam alguma dessas alternativas?

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